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Juventude Revolucionária nº 0 - Unirio: MPF ataca movimento estudantil

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1 de 3 desastres

João estava super entusiasmado com ter conseguido um emprego. Não podia acreditar que ainda bem jovem (tinha apenas 23 anos) havia conseguido aquele trabalho em uma empresa automotiva. Com mais de 14 milhões de desempregados, via pessoas desesperadas entre seus amigos e na sua família. Agora poderia se tranquilizar um pouco.
Começou o trabalho como um bom cristão: se dedicando, não criticando nada e focado no trabalho que, causava um cansaço absurdo, mas que lhe garantia um salário no fim do mês.
Uma coisa lhe chamou atenção demais: todos os empregados tinham direito a um terreno. Com as doze horas que acabava trabalhando não teve tempo de visitar o seu pedaço de terra, que lhe concederia uma folga quando se aposentasse. Pensava muito nisso pois queria deixar algo para sua esposa, Francisca com quem havia casado há apenas 1 ano; fora o fato que planejavam três filhos.
Um pouco fora dos acontecimentos políticos, sem tempo para ler jornais ou sites na internet, se concentrou no trabalho. A…

Repetição? Devido lugar

O coveiro havia começado o dia um pouco mal mas aquela dose de 51 com aquele negócio verde de alcachofra estava ajudando no começo. Qual o trabalho de um coveiro mesmo? - pensou. Já não fazia ideia.
Foi, bateu o ponto e correu para tomar um cafézinho com os outros dois coveiros.

O porteiro não era amigo dos coveiros. Mais velho, ele parecia o mais morto do cemitério. Agora ficava difícil até para os coveiros saberem se deviam ou não enterrá-lo. Essa era a piada diária entre os três.

Enterrar alguém deve entrar na estória em algum ponto.

Ele sabia que a tarde viria um corpo e parecia um dia tranquilo.

Hoje os coveiros cavam com o que?

Ficou envergonhado com sua escavadeira e pegou uma pá. Chamou os outros dois e sim, começaram a cavar com as pás. Não havia nada demais. Eram 3 coveiros e 3 pás. Logo viria um morto e nenhum dos três o conhecia. Muito bem.

O coveiro era da roça e sabia manejar a pá. Já seus dois amigos não tinham a menor ideia. Foi hora de umas risadinhas dele. Foi hora t…

PS: esse conto não é sobre racismo

Como sempre ela acordou e colocou sua maquiagem. Começou pelos pés, dedo a dedo, foi subindo pelas pernas, cintura, barriga, seios. No braço trocou de cor e assim subiu pelo pescoço e todo o rosto. Não gostava do roxo com o qual havia nascido então se pintava sempre de laranja.
Ele igual. Não aguentava se ver no espelho. Se acordava para mijar na noite evitava olhar para o espelho no caminho do vaso. Acordou e começou o mesmo processo dela. Ele tinha nascido laranja e se pintava de roxo todas as manhãs.
Cruzavam-se na rua todos os dias. Os dois se odiavam pelas cores que acreditavam ser suas naturais. Não se olhavam mais pois parecia muito. Era muito e a divisão estava fácil de concluir.
O cego que estava esperando certas coisas, coisas que ele já não esperava muito, sentado, e com um chapeuzinho esperando moedas. Os dois as colocavam. O cego sabia quem era quem, sentia o cheiro da tinta e trajava vermelho. Sua cor era vermelha. Tinha perdido a visão com faíscas de solda. Desde então …

Dias iguais... vício gratuíto

Aquela primeira tragada logo de manhã era sensacional. Ele já tinha tentando parar várias vezes mas o aumento da taxa dava ainda mais sabor e prazer à tragada.

Levantou-se cambaleando, totalmente intoxicado e feliz. Pegou o copo de café que estava na avenida Jabaquara e deu um gole. Os carros buzinavam mas não o incomodava nem um pouco. O motoqueiro passou raspando ao seu lado e o xingou. Ele tranquilamente foi para a calçada.

O relógio do bar marcava 5 da manhã. O bar já servia pinga com café para três homens com uns 40 e poucos anos. Eles nada notaram. Nada notavam fazia 40 e poucos anos.

Ele tinha acesso a seu vício; não sabia porque tinha tentado parar. Era gratuito. Todos pagavam por seus vícios. Ele tinha acesso gratuito! Passe livre.







Continua aqui

Viu, fudeu, não esqueceu (parte 2)

Quando chegaram ao quartel, o soldado foi cumprimentar informalmente o tenente, já que sempre fazia questão de que o tratassem sem o "senhor".

- Olá Tenas?

- Me chame de tenente.

Ele não está bem. Vou intimidar esse bosta de soldado. Mas afinal o que aconteceu ontem? Não há muito que possa fazer. Vamos pra sala quem sabe ele melhora. Aiai tou meio preocupado. Vou ficar do lado de fora. E representar minha medalha. Estou suando. Ninguém entra aqui no Tenas... ou será que até eu chamarei ele de tenente? Marechal se sentou pois pensar não era muito a dele

O tenente evitou encontrar o capitão e o sargento. Desconfiava que o sargento o havia visto. Em algum momento toda a confusão da noite passada ia chegar a ele, mesmo que ele não tivesse nada a ver com inquéritos.

Estava com raiva das suas diversões anteriores. O senso de necessidade o pegou. Assim como o senso da porcaria. De nada de honra.

Pegou Marechal e voltou bem cedo para casa. Tantas mortes. Ele 3.

Cabeça formal e informal

Quando não saía da cama mal podia se mexer. Suas funções motoras estavam perfeitas; era que movimentar o corpo implicava em movimentar a mente e aquilo era demais para ele. Um desapontamento. Sempre lidar ( a verdade é que não sabia lidar) com o pensamento causando mal estar, cruzando os pensamentos com as pernas e entrelaçando corpo e mente em cada esquina para atravessar a rua. Além de lidar consigo mesmo precisava não ser atropelado, respirar corretamente, não surtar na rua (essa última levava bem a sério) entre outras coisas banais ou simplesmente de vida ou morte.

Um dia acordou sem pensar. Devia ter tido um caso especial de derrame. Se movimentava igual. Funções motoras ainda perfeitas. O mal estar sumiu, os pensamentos não mais cruzavam seus passos, não esperavam em cada esquina; ser atropelado não lhe passava pela cabeça, muito menos respirar. Não havia surtado: era o mesmo.
Poderiam dizer que havia mudado. Mas como? Trabalhava como arquivista e não lidava com muita gente. Con…